A questão Energética

"Tanto os combustíveis fósseis, não-renováveis, como os renováveis têm como origem o sol. O petróleo, o xisto, a turfa, o gás natural, o carvão mineral, todos têm como origem da sua energia o sol. Eles são substâncias químicas que armazenam a energia solar, graças à fotossíntese, para formar inicialmente os hidratos de carbono – açúcares, óleos vegetais, amidos, celuloses, hemiceluloses -, base da origem dos seres vivos, vegetais e animais e que, em processo que dura centenas de milhões de anos, formam os combustíveis fósseis, antes citados. (...) A Segunda alternativa são os combustíveis extraídos da biomassa, que são os hidratos de carbono na sua forma natural, dividendos da radiação solar. Eles formam-se continuamente e podem ser imediatamente usados como dividendos, ao contrário dos fósseis, que são o capital. Estes são formados ao longo de eras geológicas e, ao serem usados de modo extensivo, se exaurem em poucas gerações" (VASCONCELLOS & VIDAL, 1998: 187-8).

1.      O Petróleo

O valor de US$ 33,80 do barril de petróleo - registrado no fechamento do mercado de Londres em 12 de outubro, representa o recorde desde a Guerra do Golfo, em 1990, superando inclusive a alta de 20 de setembro, quando o mercado levou o maior susto da década quanto ao preço do petróleo. A crise no Oriente Médio que voltou a desestabilizar no início de outubro os mercados em geral e, principalmente, o preço do petróleo, estourou num momento em que a situação parecia estar se normalizando.

O principal fator de origem ao atual descompasso entre oferta e demanda de petróleo e levaram à alta dos preços: novos conflitos entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio, que pode ter como conseqüência a interrupção dos fluxos de exportação da região.

Tanto pelo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais quanto por fatores internos, o Brasil já vinha sendo afetado nos últimos meses por reajustes dos combustíveis. Em julho, mudanças feitas pelo governo federal na forma de arrecadação de impostos levaram a uma elevação dos preços nos postos. Além disso, a quebra da safra de cana-de-açúcar provocou aumento do preço do álcool, que entra na composição da gasolina.

 2. Energia Elétrica

O setor residencial responde por 24% do consumo total de energia elétrica no país e dentro deste setor, tem-se uma participação média de 26% do consumo total atribuído ao aquecimento de água, participação inferior somente ao da refrigeração. Portanto, conclui-se facilmente que apenas o aquecimento de água para banho em residências brasileiras é responsável por mais de 6.0% de todo o consumo nacional de energia elétrica.

 Os refrigeradores/freezers constituem o uso final de maior consumo elétrico no setor residencial, com participação de 32%, e respondem por 9% do consumo global de energia elétrica do País. Os aparelhos de ar condicionado respondendo por 20% do consumo residencial, participando com 3% no consumo global de energia.

Ainda assim, o Brasil possui um baixo consumo elétrico residencial por habitante quando comparado a outros países, como vemos abaixo. Nos últimos dois anos o setor de maior crescimento de consumo de energia elétrica foi justamente o setor residencial. Por exemplo, de maio de 1995 até maio de 1996 o setor residencial cresceu 12,9% em consumo, o setor comercial 10,8 % enquanto que o industrial teve queda de 1,9 % no mesmo período.

O chuveiro elétrico é, do ponto de vista estritamente energético, extremamente eficiente, com uma alta taxa de conversão de energia elétrica em calor e baixo desperdício, visto que é aquecida apenas a água a ser imediatamente utilizada. No passado, era comum a utilização de chuveiros com apenas 1500W e hoje tem-se, na maioria dos casos, 4400W. Apesar do baixo custo para o usuário final, o uso do chuveiro elétrico representa um elevado investimento para as concessionárias, se considerados os investimentos na geração.

Os motores elétricos representam, no País, o mais importante uso final da energia elétrica, representando cerca de 30 % do consumo global. No setor industrial, eles são responsáveis por aproximadamente 50 % do consumo. 

  

3. Energia Solar

A energia solar é uma fonte inesgotável e gratuita (só contando com o custo de equipamento), podendo representar uma solução para parte dos problemas de escassez de energia que abala o mundo. No Brasil, esta fonte de energia poderia ser aproveitada ao máximo, pois grandes extensões territoriais estão situados em zonas tropicais, dispondo de alta incidência de radiação, o que torna viável o desenvolvimento de tecnologias capazes de transformar a energia solar em energia térmica, elétrica, química, mecânica etc. Portanto, porque se avaliam as possibilidades de usinas termoelétricas e nucleares se teríamos outros meios mais baratos de geração de energia? Seria mais interessante utilizar o potencial de fontes renováveis que temos no país.

O Painel fotovoltaico - é o dispositivo que converte energia solar em eletricidade. A célula solar trabalha segundo o princípio de que os fótons incidentes, colidindo com os átomos de certos materiais, provocam um deslocamento dos elétrons, carregados negativamente, gerando uma corrente elétrica. Este processo de conversão não depende do calor, pelo contrário, o rendimento da célula solar cai quando sua temperatura aumenta.

   

4. Energia Eólica

Tudo indica que as primeiras utilizações de energia eólica deram-se com as embarcações, algumas publicações mencionam vestígios de sua existência já por volta de 4.000 a.C.

Houveram alguns aperfeiçoamentos que permitiram integrar os moinhos de vento também às unidades produtivas. Com a crise do petróleo, a energia eólica foi bastante cogitada, permitindo o aparecimento de aerogeradores muito mais eficientes e com custos baixos.

O Brasil, neste segmento, tem um grande potencial a explorar, visto os ventos ao alongo da costa serem bastante regulares e de boa velocidade. Atualmente temos somente 5 parques eólicos: no paraná  com 2,5MV, 2 do Ceará com 5 e 10MV, e Minas, com 1MV.

 

5. Termoelétricas

As usinas termoelétricas são movidas a gás natural e devem ser instaladas perto de grandes mananciais para refrigeração de seus equipamentos. Estas se confundem com as Hidrelétricas devido a sua localização.

As termoelétricas, em aspectos ambientais são altamente "tóxicas". Em primeiro lugar, é utilizado o gás natural, que na realidade é somente 20% menos poluente que o petróleo, e sendo assim, cada Gwh produzido com gás natural, são emitidas em torno de 500 toneladas de CO2 para a atmosfera. E para que essas 500 toneladas sejam lançadas ao ar do Brasil, basta apenas duas horas de operação de cada uma dessas usinas que querem desnecessariamente espalhar pelo País. Os gases poluentes emitidos agora para a atmosfera demorarão 150 anos para se dissipar. Além de todo esse dano, a termoelétrica ainda tem capacidade de causar outros enormes prejuízos ao ambiente. Uma termoelétrica necessita de enormes volumes de água para a refrigeração de seus equipamentos e por causa disso ela sempre é instalada perto de grandes mananciais, como rios e lagos. A termoelétrica pega a água fria do rio e a devolve muito quente ao canal, cuja água então aquecida é capaz de destruir a sua fauna e flora.

As nossas linhas de transmissão também são obsoletas e estima-se que nos países do terceiro mundo a correspondente perda de energia é da ordem de 20% da energia gerada. Vinte por cento sobre a capacidade instalada no Brasil corresponde à cerca de 12 GW, exatamente uma usina de Itaipu.

 

6. Energia Nuclear

É a utilização da energia a partir da aniquilação de uma substância, utilizando a energia do núcleo atômico, numa reação em cadeia. O reator nuclear gera energia na forma de calor para aquecer uma caldeira, produzindo também quantidade de resíduos radioativos, nocivos aos seres vivos.

 

7. Óleos vegetais

As diferentes propriedades dos óleos são elucidadas, com base em experiências, pela sua adaptabilidade ao emprêgo como substituto ao óleo diesel. A fonte de óleos vegetais é a planta oleaginosa. As experiências vividas e conhecimentos obtidos nos programas energéticos brasileiros servem de base para projetos futuros no mundo inteiro.

O emprego de óleos vegetais como combustível sob caráter emergencial garantiria o fornecimento de substituto para óleo diesel. Poderia ser usado com o objetivo de diminuir excedentes agrícolas, combater poluição ambiental, manutenção da estrutura agrícola e economia de recursos fósseis.

 

8. O carvão

 Pedra sedmentária de origem orgânica. É composto principalmente de tecido carbinizados de plantas que originalmente se acumulam nos pântanos onde havia pouco oxigênio. Os depósitos de carvão mineral ou de pedra, a hulha, localizan-se na região Sul. É  combustível de alto valor, indispensável na vida moderna como fonte de energia na indústria de ferro e do aço, sob a forma de coque, e também na industria química. Ele tem reservas para séculos e dele se pode produzir um produto que é um petróleo sintético. Do carvão pode-se produzir gasolina e óleo Diesel sintéticos. Tal tecnologia existe desde 1911, foi aperfeiçoada nos anos vinte e deu alguns prêmios Nobel de química aos seus descobridores.

 

9. A Biomassa

É o aproveitamento do potencial energético de organismos, a maioria sendo vegetais componentes da alimentação humana considerados como matéria prima para a obtenção de óleos combustíveis. Como exemplos podemos citar o álccol brasileiro, que produz um substituto do petróleo, o biogás, óleo diesel natural de dendê (são centenas os óleos vegetais tropicais) a região amazônica poderia produzir por dia, 6 milhões de barris, substituto vantajoso do sujo diesel do petróleo. 



Pesquisa em 04/2002