Os fatores limitantes
Ao desenvolvimento da mata Atlântica

 

INTRODUÇÃO

O uso do fogo faz parte da vida dos povos desde a antiguidade. E naquela época não existia uma noção de totalidade, de dependência (como até hoje). O homem desta época era de uma tal maneira egoísta, que apesar de seus conhecimentos de ciências naturais, não percebia as relações existentes entre água, floresta e solo. Muitas regiões tiveram de ser abandonadas pois as terras devastadas não eras reflorestadas, e o homem ia contra as suas próprias condições de existência, tornando inabitável certa região para depois migrar para outra. O fogo era um artifício de guerra. Muitas vezes era ateado fogo para isolar o inimigo sem controle algum. Isso por volta do ano 1200, vivendo no planeta uma média de 700 millhões de pessoas. Hoje, já não se pode mais migrar, e somos por volta de 7 bilhões. Já está na hora de começar a preservar.

Neste será abordado o resultado deste egoísmo e o resultado da falta de consciência de totalidade, de dependência. São 500 anos de destruição, e ainda não existe a consciência do seu dever de preservar para poder sobreviver no futuro.

Fatores limitantes a que me refiro aqui não são os fatores puramente naturais, mas os induzidos pelo homem em grande e pequena escala, conscientemente ou não.

 

1. O homem na Biosfera

A influência do homem sobre o equilíbrio ecológico data da sua aparição sobre a Terra e provocou uma regressão dos sistemas naturais, em relação com o estado que se poderia supor mais provável se a espécie humana não tivesse existido ou não tivesse estado presente na biosfera terrestre.

Numa análise histórica da interação do homem e o resto da biosfera convém distinguir as etapas que se descrevem a seguir.

1.1. O homem primitivo

O homem passa de caçador e pescador a pastor e agricultor. Durante muitos milênios o homem exerceu uma reduzida influência sobre o meio ambiente. Tal como os outros animais, o homem atuava como depredador ou competidor nas comunidades naturais de que fazia parte, e via-se submetido às conseqüências derivadas das mudanças ambientais e ecológicas que o obrigavam a adaptar-se ou procurar noutro lugar os elementos fundamentais para a sua sobrevivência.

Pela sua constituição, a alimentação do homem primitivo estava ligada ao consumo de alimentos moles e sumarentos, como frutos, raízes, tubérculos, insetos e larvas e, ao contrário dos macacos, que raramente se nutrem de répteis ou de aves, na sua dieta nutritiva figurava também o consumo de carne. Por isso, os utensílios iniciais elaborados para o trabalho humano eram instrumentos de caça e de pesca, os primeiros também a ser utilizados como armas. Nesta época a ação do homem sobre a biosfera foi muito escassa, limitando-se talvez a influir sobre alguns ecossistemas mediante o fogo, prática ainda hoje utilizada para a caça por muitas sociedades primitivas e que consiste em provocar incêndios, em bosques e savanas, que afugentam os animais, facilitando assim a sua captura.

Ainda hoje, esta situação pode ser estudada nas tribos primitivas que mantêm idêntico regime de vida. Os aborígenes australianos, por exemplo, subsistem graças à caça, à pesca e à colheita de frutos e raízes, e não praticam forma alguma de agricultura ou tráfico de gado, vivendo por conseguinte da natureza, sem contaminá-la.

A passagem da comunidade primitiva aos primeiros povos agricultores e pastores, que surgiram devido ao aparecimento da divisão do trabalho e da primeira divisão da sociedade em classes, trouxe como conseqüência uma alteração já importante do meio natural.

O fogo desempenhou um papel muito importante neste período e surgiu como o meio mais poderoso para transformar os habitats.

"Cortar as árvores e queimar" foi a técnica básica de cultivo que permitiu ao homem libertar-se da sua dependência milenária da caça e da colheita de frutos e raízes. Com isso aprendeu a imitar os atos da natureza - as cinzas da queima do bosque melhoravam o solo e as árvores ao crescer outra vez formariam novo humus - mas, ao mesmo tempo, a prática abusiva da destruição da vegetação determinou profundas modificações climáticas em muitas zonas da Terra, deixando amplas extensões transformadas em savanas, em terras áridas e pobres e mesmo em terras desertas.

O homem começava a alterar o equilíbrio ecológico da biosfera.

1.2. O saque na natureza

Conforme o homem parte para modos de produção econômica mais desenvolvidos era preciso poder dispor de meios técnicos mais eficazes e isso coincidiu além do mais com um aumento da densidade populacional. O equilíbrio do homem com a natureza começava a ver-se comprometido. Durante toda a Idade Média prosseguiu a destruição abusiva de bosques para facilitar a agricultura ou o tráfico de gado, ao mesmo tempo que a madeira se transformava num produto cada vez mais utilizado.

Ao iniciar-se a época dos grandes descobrimentos, extensas zonas do planeta permaneciam intactas. Isso, porém, durou pouco tempo.

Em menos de 200 anos as nações colonizadoras européias, munidas de poderosos meios de destruição, praticaram em muitos lugares uma verdadeira política de "terra queimada" sem avaliar as conseqüências ecológicas e sociais dos seus atos. O que interessava, em primeiro lugar, eram os primeiros resultados, os mais palpáveis, a exploração para riqueza imediata. A natureza selvagem era, normalmente, para o colonizador europeu, um inimigo a vencer e os recursos naturais, devido à sua abundância, eram tidos por inesgotáveis.

1.3. A revolução Industrial

Em fins do século XVIII as novas condições econômicas e sociais da produção determinaram não só a aquisição de novos descobrimentos científicos, mas também a sua aplicação.

Até 1800, a energia disponível tinha a sua origem e limitava-se à radiação solar A forma mais evidente de energia animal e humana era fornecida pelo metabolismo dos alimentos, quer dizer, a oxidação biológica dos compostos que armazenaram a energia solar. De igual modo, até aquela data, a produção humana de materiais, como um processo na biosfera, era relativamente limitada, pois durante milênios a procura de materiais pelo homem tinha sido modesta e além disso aqueles eram, no geral, biodegradáveis.

Com a revolução industrial introduzem-se no processo de produção máquinas acionadas mediante novas fontes de energia, produzida a partir de combustíveis sólidos e cujo consumo iria aumentar. Os efeitos da combustão destes produtos começaram progressivamente a exercer os seus efeitos sobre a biosf'era. Assim, ao aumentar a produção humana de materiais, as conseqüências da não reciclagem de muitas substâncias passaram a ser percebidas.

A tudo isto deve-se acrescentar os efeitos do "fenômeno urbano" nesta etapa de desenvolvimento do capitalismo industrial. Até esse momento, o processo histórico de urbanização, iniciado sobre a base do excedente produzido pelo trabalho agrícola, não tinha deixado sentir uma grande influência sobre o meio ambiente. Mas, com a evolução industrial inicia-se o processo de migração do campo para a cidade, necessário para promover a força de trabalho essencial para a industrialização e, como conseqüência, dá-se uma concentração de mão-de-obra, criando-se um mercado e o meio industrial e urbano.

"Temos já reunidas as condições históricas que determinaram, simultaneamente, a recessão dos sistemas naturais, uma crescente poluição do meio ambiente, devida a certas formas de consumo de energia, à multiplicação do volume e densidade de materiais e de uma organização do espaço que não respeita as leis ecológicas às quais a sociedade está sujeita." (Salvat, p.28)

"As condições da natureza estão inscritas nas tábuas da Lei do urbanismo contemporâneo: seus três materiais são o ar puro, o sol e a vegetação" (Le Corbusier)

 

  1. A mata Atlântica

Esta formação vegetal ocorre ao longo das costas brasileiras acompanhando as cadeiras montanhosas, desde o Nordeste até o Rio Grande do Sul, abrangendo também a mata de araucárias no Sul. Em regiões profundamente devastadas pelo homem, como o Nordeste, a sua existência é hoje comprovada apenas por vestígios. Nas serras do Mar e da Mantiqueira, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo está a região de seu maior desenvolvimento, e a sua maior exploração e desmatamento em razão de encontrar-se nas regiões de maior desenvolvimento urbano.

Em decorrência dos ventos úmidos que sopram no sentido do mar para o continente, barrados pelas montanhas costeiras, a Floresta Atlântica possui um clima extremamente úmido. Fisionomicamente ela é semelhante à Floresta Amazônica: floresta densa, com árvores altas, arbustos e incontáveis epífitas. Seu interior é geralmente sombrio, úmido e com pouca ventilação, constituindo um ambiente ideal para as plantas higrófilas.

A grande quantidade de matéria orgânica em decomposição sobre o solo lhe dá fertilidade suficiente para suprir toda a rica vegetação. Este fato também é notado em toda a Floresta Amazônica, onde um solo pobre consegue manter na sua superfície um floresta riquíssima em espécies, graças à rápida reciclagem da enorme quantidade de matéria orgânica que se acumula no húmus.

Entre as plantas herbáceas destacam-se: pteridófitas, amarilidáceas, rubiáceas, marantáceas, melastomatáceas e musáceas. Nas partes mais úmidas das matas aparecem inúmeras espécies de musgos e filicíneas.

As plantas arbóreas, que formam um grupo significativo, estão representadas, principalmente, por: canelas, capiúvas, pau-de-santa-rita, figueiras, jequitibás, cedros, quaresmeiras, ipês e cássias. São dignas de nota as palmeiras e a embaúba.

2.1. O quadro hoje

A devastação consome a mata atlântica desde o descobrimento do Brasil. Por ser a região de maior desenvolvimento e urbanização do país, é consequentemente a região de maior exploração e devastação - que já anda crítica. Estimativas indicam que um dos mais importantes ecossistemas tropicais do planeta pode desaparecer em 10 anos, se nada for feito.

Em 1500, a mata cobria 12% do país. No início da década de 90, já não ocupava mais de 0,3%. Calcula-se que uma área equivalente a um campo de futebol vira fumaça a cada três minutos. "O ritmo de devastação não era tão intenso; aumentou nos últimos anos" Afirma Mantovani da Fundação SOS Mata Atlântica. Com a retomada do crescimento econômico, e a maior utilização dos recursos naturais, pode-se dizer que é o motivo das possíveis explicações para o fenômeno. A floresta pode sumir do mapa por volta de 2007, só restando ilhas isoladas de vegetação, que não caracterizam um ecossistema. Um exemplo catastrófico temos no Estado do RS, em que a mata encolheu de 39,7% do território em 1500 para 2,33% em 1990. Há 58 anos, restava 35% da cobertura nativa. De 1985 a 1990, foram perdidos 49,4 mil hectares, e somente 144 estão recuperados. A diminuição da área preservada reduz a fertilidade da terra, induz a secagem de rios e limita o número de espécies animais e vegetais, quando não extintas. Dos 202 animais em extinção no Brasil, 171 são originários da Mata atlântica. Esta abriga pelo menos 10 mil espécies de plantas, 131 mamíferos, 183 espécies de anfíbios, 143 de répteis, 160 de aves, 23 de marsupiais e 20 espécies e subespécies de primatas.

 

3. As limitações naturais

3.1. O El Niño

Entre os fenômenos de escalas globais que favorecem a ocorrência de incêndios florestais e o aumento das queimadas, destaca-se "EI Niño". Resultado da interação entre o oceano e a atmosfera, "EI Niño" caracteriza-se por um aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical centro-leste. Esse aquecimento interfere na circulação atmosférica de grande escala e, conseqüentemente, provoca mudanças nas condições climáticas de várias regiões continentais ao redor do planeta, em virtude da grande quantidade de energia envolvida nesse processo.

Grandes secas na Índia, no Nordeste e Sudeste do Brasil, na Austrália, Indonésia e África são decorrentes do fenômeno, assim como algumas enchentes no Sul e Sudeste do Brasil, no Peru, Equador e no meio oeste dos Estados Unidos. Em algumas áreas observam-se temperaturas mais elevadas que o normal, enquanto em outras ocorrem frio e neve em excesso.

O fenômeno El Niño, cujos registros mineralógicos e geoquímicos datam de pelo menos seis mil anos atrás, é cíclico, mas não apresenta um período regular, reaparecendo no intervalo de três a cinco anos. Sua manifestação atual é considerada pelos pesquisadores, em geral, como a de maior intensidade nos últimos 600 anos. Entre outubro de 1997 e janeiro de 1998, as águas do Oceano Pacífico equatorial, na altura da costa do Peru, elevaram-se 4°C acima do normal.

No Brasil, seus efeitos vêm afetando o clima desde meados de 1997. A ele se atribuem as temperaturas mais amenas durante o último inverno e as altas temperaturas em dezembro e início de janeiro no Sul e Sudeste, as chuvas excessivas no Sul.

Os efeitos de El Niño potencializam o uso do fogo e antecipam as queimadas agrícolas, provocando uma ampliação do período tradicional e, conseqüentemente, o aumento da ocorrência de focos de queimada e incêndios florestais ao longo do ano. A queda pluviométrica abaixo da média anual é atribuída à inversão da corrente de ar, que passa de ascendente para descendente sobre a Bacia do Atlântico equatorial, incluídos o leste da Amazônia e o semi-árido nordestino, inibindo a formação de nuvens.

Com as alterações climáticas que vêm ocorrendo no planeta, tanto a periodicidade quanto a duração de El Niño têm variado. Nesse cenário, as previsões sobre sua intensidade e impacto são de fundamental importância para que se possa reduzir os prejuízos que se traduzem na intensificação das queimadas. Os governos dos países chamados de "primeiro mundo", há mais de dez anos, vêm incentivando meteorologistas e oceanógrafos a buscarem um melhor entendimento das interações oceano/atmosfera do planeta, monitorá-las e desenvolver modelos prognósticos de confiabilidade, cujos resultados possam ser aplicados pelos tomadores de decisão no intuito de minimizar os impactos do fenômeno.

 

  1. A floresta Tropical úmida

A floresta primária nos trópicos úmidos não é inflamável em condições climáticas normais. O micro clima úmido e a elevada precipitação pluviométrica desfavorecem a inflamação da biomassa. Assim, na Floresta Amazônica pode-se observar que, mesmo após três ou quatro meses de seca, as árvores permanecem verdes e exuberantes.

Essa alta tolerância à seca é explicada pela elevada capacidade de a floresta absorver a água armazenada no solo, pelas raízes das árvores e dos cipós. Explica-se, também, pelo ambiente frio e úmido no interior da floresta, propiciado pela cobertura de sombra oferecida pelas folhas das árvores.

Quando, porém, a seca prossegue, as reservas de água no solo tendem a se esgotar. Nessas condições, as árvores, antecipando-se à eventualidade do agravamento da estiagem, fazem uso de seu principal mecanismo de defesa, que é a perda das folhas, órgão de transpiração.

Com a queda das folhas, abre-se espaço no dossel da floresta para a penetração dos raios solares no seu interior. Quando os raios solares atingem o solo, a camada de folhas, gravetos e galhos depositados na superfície começa a secar e, se a seca for prolongada, a floresta torna-se inflamável (ver fig02).

A susceptitilidade da cobertura vegetal da Amazônia ao fogo varia de acordo com as diferenças entre seus vários ecossistemas. Assim, a floresta primária (nunca sofreu cortes), que formam uma camada de 5 a 10 cm de espessura de material orgânico no chão da floresta, dificilmente se inflama, mesmo existindo combustível em quantidade mais que suficiente para o alastramento do fogo. Isso se deve, à proteção assegurada pela temperatura e umidade relativa, que se mantêm dentro de limites relativamente estreitos. A umidade relativa, por exemplo, raramente cai abaixo do nível crítico de 65%.

Já a floresta explorada, após a extração seletiva de madeira, além de ter a copa das árvores reduzidas à metade, possibilitando a entrada dos raios solares no seu interior, apresenta três vezes mais biomassa combustível do que a floresta primária. Durante a estação seca, um período de cinco ou mais dias sem chuva é suficiente para secar os materiais combustíveis e criar um limiar crítico para esse tipo de floresta .

Para o terceiro tipo de floresta - a floresta secundária (formada espontaneamente após a destruição da floresta primária), o resultado dos incêndios é catastrófico. O fogo, que em geral tem início nas pastagens, incendiadas pelo proprietário da terra com o objetivo de controlar as ervas invasoras, passa facilmente para as pastagens abandonadas vizinhas onde se desenvolvem as florestas secundárias.

Ocorre que muitas espécies de árvores pioneiras da floresta secundária apresentam alta proporção de queda de folhas durante períodos prolongados de seca - folhas e restos de vegetação sobre a superfície do solo que são atingidos pelos raios solares na ausência daquela biomassa das florestas primárias. Têm-se assim as condições ideais para a ocorrência de incêndios, em geral muito intensos o fogo chega a atingir a própria copa da vegetação em virtude da baixa estatura das árvores.

Especialistas acreditam que provavelmente de 30% a 40% das florestas da Amazônia brasileira são sensíveis a pequenas reduções no volume de chuvas. Com o aumento da freqüência e da intensidade dos eventos de "EI Niño", associado às diversas modalidades de práticas ambientalmente inadequadas na utilização dos recursos naturais da região, a previsão é de que as florestas tornem-se cada vez mais inflamáveis.

2.2 O Potencial Amazônico

A Amazônia representa uma das mais importantes regiões fitogeográficas do mundo. Em escala continental, ocupa 1/20 da superfície terrestre e constitui-se na maior bacia hidrográfica do planeta, abrangendo cerca de 40% das florestas tropicais remanescentes no globo (INPE,1992), razão pela qual é detentora de imensurável patrimônio genético, estimado em torno de 30% do estoque mundial, com elevado grau de endemia de espécies da fauna e flora(só encontradas naquele local); possui 20% das reservas mundiais de água doce; dispõe de mais de 20 mil quilômetros de vias fluviais permanentemente navegáveis e de um potencial hidrelétrico estimado em 100 milhões de quilowatts.

A questão das queimadas e incêndios das florestas tropicais, especialmente da Floresta Amazônica brasileira, figura entre os principais problemas que têm origem num processo histórico complexo de utilização não adequada de seus recursos naturais e que ameaça a sua sustentabilidade.

Ao longo dos anos 80, os índices de desflorestamento da Amazônia chegaram a consumir mais de 21 mil km2/ano de floresta. Na esteira desses desmatamentos, identificaram-se as maiores queimadas e incêndios na região. Nos anos seguintes, entre o período anterior à Rio-92 e o início do processo de estabilidade econômica, os índices de desflorestamento apresentaram queda acentuada, oscilando entre 11.500 e 12.500 km2/ano. Mas, apesar da queda, os padrões de exploração da Amazônia não sofreram mudanças significativas, e voltou a apresentar índices ascendentes, atingindo a média de 29.059 km2/ano no período 1994/95. Com o esforço do governo brasileiro na busca de ordenar o setor florestal e aumentar o controle e a fiscalização, esses índices vêm sendo reduzidos, gradativamente.

2.3 Problema antigo

As queimadas e os incêndios são problemas antigos, ligados principalmente à cultura do uso do fogo como prática agrícola no processo de ocupação e limpeza de área para eliminação de restos de cultura e de pragas e do manejo de pastagens. Essa prática propicia a concentração de focos de queimadas nos períodos mais secos do ano, coincidentes com o momento de preparo do solo para fins agrícolas, com destaque para as áreas já ocupadas, de expansão da fronteira, ao longo das rodovias e vias de acesso locais.
Assim, o uso do fogo como prática agrícola é feito geralmente de forma aleatória, sem qualquer mecanismo de controle, o que resulta em áreas de queimadas significativamente maiores do que o necessário e muitas vezes provocando incêndios de grandes proporções.
Já as florestas sem derrubada têm sido alvo de incêndios principalmente como resultado da intervenção humana, em que o fogo se alastra no chão, e destrói parcialmente a biomassa e raramente é captado pelo satélites como desmatamento ou como queimada.

O estudo "O uso do fogo na Amazônia estudos de casos ao longo do Arco do Desmatamento", realizado pelo IPAM em 1997 constatou que entre 1994 e 1995, as quatro regiões pesquisadas (Paragominas e Santana do Araguaia-PA, Alta Floresta-MT, Ariquemes-RO e Rio Branco-AC) tiveram em média de 8% a 23% da área de cada propriedade queimada. Essa área variou a cada ano com o tamanho da propriedade, indo de 6 ha/ano para os pequenos proprietários de algumas regiões até 5 mil ha/ano para grandes proprietários no sul do Pará. A área queimada decorrente de novos desflorestamentos foi menor do que a metade da área total que queimou em 1994/95 e não variou de um ano para outro. Para alguns tipos de propriedade, novos desmatamentos representaram menos de 6% da área queimada (IPAM, op. cit.).

 

BIBLIOGRAFIA

  1. ATLAS Nacional do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 2 ed., 1992, 198p.
  2. IBGE, Dep. de Recursos Naturais. Recursos Naturais e Meio Ambiente: Uma Visão do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1992. 154p.
  3. GUSMÃO, Rivaldo Pinto de et al. Diagnóstico Brasil: a ocupação do território e o meio ambiente. Rio de Janeiro, IBGE, 1990.
  4. AB´SÁBER, Aziz Nacib. Fundamentos Geográficos da História Brasileira. Vol.1, São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1960.
  5. DOMINGUES, Alfredo José Porto. Classificação das Regiões Morfoclimáticas Brasileiras. Rio de Janeiro: IBGE, 1963.
  Appio, em 10/2002!